O namorado enche o copo, mexe o gelo com o dedo e oferece um gole à namorada. Ela diz que não, que não suporta aquela bebida. Ele faz cara, diz que a bebida é ótima para descontrair, diz que ela é uma tonta, fora de moda, mais parecendo aquelas mocinhas do tempo antigo da novela das seis…
Ele insiste mais um pouco e ela, claro, cede. Bebe e se queima toda por dentro, bebeu uísque. Uísque não é bebida, é corrosivo das entranhas, é um trator a andar pelo aparelho gastrointestinal. Em razão disso, e mais que tudo, em razão de as mulheres serem bem mais inteligentes que os homens, as mulheres não bebem uísque, ou esses outros corrosivos tão consumidos nas baladas.
Em razão disso, leitora, vem aí uma campanha pesada nas baladas visando a fazer com que as mulheres passem a beber ou a beber mais uísque, elas que não o bebem.
O diretor da campanha – de uma marca internacional de uísque – diz literalmente que – “Uísque sempre foi visto como bebida de homem, consumido puro ou só com gelo – queremos mudar isso…” Esse o resumo da triste ópera, mulheres bebem pouco uísque e a campanha visa a fazê-las “enxugar” o copo nas baladas. Agora, imagine a volta para casa, ele mais para lá do que para cá, bebeu todas, e a namorada com os olhos saltados de álcool. O que esperar? Claro, o pior.
Mas não nos enganemos, há muita mulher hoje bebendo mais que os homens. Um horror. E o triste é vê-las de cara cheia, sem graça, sem modos, sem pudor, dizendo bobagens e – tragédia grega – vomitando. Uma mulher vomitando de tão bêbeda merece o mais refinado dos desprezos. Que ridícula, que bagaceira. A campanha vem aí, os empresários querem vê-las bebendo uísque como cowboys de cinema, sem essa de agirem como mocinhas do tempo antigo… Coitadas das que aceitarem o “brinde”, que ridículas vão ficar.
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