Era cedo pela manha. Eu estava bem, acho que estava bem. Andava pelo pátio, pensava vagamente no dia pela frente e não me posso dizer nervoso naquele momento, não naquele momento, afinal, eu teria o dia pela frente para ficar nervoso. De repente, o rapaz da entrega de jornais joga-me por sobre o muro a assinatura da Folha do Pai. Foi o fim do meu relaxamento. Na página 22, caderno Mundo, estava a bomba me esperando.
E se a leitora pensa que faço graça com esse assunto, não me conhece. Fico furioso com assuntos que envolvem homens diante dos direitos das mulheres. Homens não, esses trastes que andam por aí, em estonteante maioria, pintando e bordando com a educação dada pelas “mãezinhas” e depois reforçada pelas jovens mulheres nos relacionamentos com esses embustes vestidos de homem, repito, maioria.
No Google fizeram um estudo para ouvir pessoas, ouvir sobre o que devem, ou deviam, e o que não devem fazer as mulheres. Eram frases que deviam ser completadas – As mulheres não devem… As mulheres devem… E por aí.
O que mais os estúpidos do mundo responderam foi que as mulheres não devem votar, não devem falar na igreja, não devem trabalhar fora, não devem estudar e por aí… Vagabundos. Mas se a leitora pensa que isso é coisa lá do outro lado do mundo, cuidado. Bem que o seu filho pode pensar – dissimuladamente – assim, haja vista os direitos a que ele se dá na relação de namoro. Sempre o “ditador”, sempre a vontade dele, ai dela que corte o cabelo, que saia com as amigas, que volte tarde…
As razões básicas desse barbarismo de homens “por metade” vêm das religiões, todas misóginas, criadas por homens impotentes, e vem da força física – maior – do homem. Só, não vem de nada ou ninguém mais. Reajam, gurias. Reajam enquanto vocês estão vivas, isto é, vivas mesmo ou solteiras, o que dá no mesmo…
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